Por Carlos Minamoto

Para quem não conhece a mais nova trend queridinha das social medias, a Tik Tok pertence à ByteDance, startup que tem hoje um dos maiores valuations no mundo inteiro. Com mais de 500 milhões de usuários pelo mundo, o aplicativo vem alcançando cada vez mais atenção dos usuários e da concorrência.

Diferente de muitas outras social medias, para começar a usar o aplicativo não é preciso sequer criar uma conta, basta fazer o download. Por outro lado, curtidas, comentários e follows só são válidos quando o usuário é cadastrado, o que pode ser facilmente resolvido com o login pelo Facebook.

4 características que fazem a diferença na experiência do Tik Tok

Pode-se dizer que a febre provocada pelo aplicativo tem origem nos seguintes pontos:

Inteligência Artificial

Com uma precisão altíssima, até assusta o quanto o aprendizado de máquina empregado consegue processar e consolidar rapidamente os follows, curtidas e comentários feitos, aproximando o usuário de conteúdos que provavelmente lhe serão prazerosos. É perceptível a relevância que as variáveis trabalhadas possuem: tipo de vídeo, tempo, efeitos, sonoridade e as hashtags. Isso porque, dentro do conteúdo mostrado na página principal (For You), não existe necessariamente um filtro, o que permite aleatoriedade suficiente para afunilar com o perfil do usuário. Neste vídeo, por exemplo, existem 3 ou 4 “stories” relacionadas a uma mesma personalidade. Caso a pessoa reaja em um, aumenta a probabilidade de um conteúdo semelhante aparecer novamente, seja da mesma personalidade, seja levando em consideração as variáveis que citei acima. E assusta o quanto isso realmente acontece.

Relevância

Um dos pontos interessantes é que dentro dos filtros principais, você pode escolher entre Following e For You. Following, como o próprio nome diz, são das pessoas que o usuário segue, e For You é onde o processo de discovering ocorre. Entretanto, é comum entrar em perfis já bem famosos na rede e encontrar conteúdo com poucas reações. A princípio, elas poderiam vir dos followers, mas parte do “tráfego” tem origem justamente no discovering, o que torna o app relevante na disseminação de buzz.

Tela do aplicativo Tik Tok
Fonte: The Straits Times

“Compartilhabilidade”

Apesar de muitos vídeos abusarem das diversas coleções de sons e efeitos visuais (ou de outros vídeos), nada se retém ao app. É possível compartilhar livremente um vídeo nas outras redes sociais. Quando o conteúdo é compartilhamento, além da gama de possibilidades (Instagram, Instagram Stories, Facebook, Whatsapp, Whatsapp Stories e afins), ao selecionar o destino, é automaticamente executado um download do vídeo, o que permite não só que ele seja postado em outra rede social depois, como também fique armazenado no dispositivo. Em todo esse processo, não há um backlink sequer (no Instagram, Facebook e Whatsapp, por exemplo, qualquer compartilhamento de conteúdo é repetidamente composto por backlinks).  Há apenas um adendo: o logo da Tik Tok em algum lugar do vídeo e os “crédito” do perfil no final.

Discovering

A experiência de consumo de informação é muito relevante para o usuário. Enquanto muitas redes sociais direcionam para sites de terceiros, que podem conter títulos sensacionalistas como baits e informações que não agregam, a Tik Tok empreende bem sua mensagem de produzir conteúdo para entretenimento. Assim, stories muito bem colocados intencionam bem não só o consumo de informação por completo, como também impulsionam um comportamento Pavloviano. Isso torna mais admissível a inserção de uma propaganda, já que o enfoque é mantido na na produção de conteúdo.

Além disso, a ByteDance também controla a Toutiao, um agregador de notícias baseado nos mesmos moldes. Compreende-se, então, que desenvolvimento in home trouxe diversos benefícios e serve como uma enorme fonte de dados que aumenta cada vez mais a precisão dos seus algoritmos.

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