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Futuro da Mobilidade Urbana com Fernando Saddi (Easy Carros)

By 9 de maio de 2019 maio 21st, 2019 No Comments
https://www.youtube.com/watch?v=LABW4yfoWtg&feature=youtu.be
Entrevista

O futuro da mobilidade e as transformações no transporte urbano

Confira todos os insights da entrevista com Fernando Saddi

A Uber chegou no Brasil em 2014, causando o protesto de taxistas e despertando a curiosidade de muitos que ainda não entendiam muito bem como funcionava a companhia. Passados cinco anos, a empresa ganhou concorrentes e o serviço que prestava, de conectar motoristas a interessados em se locomover, passou a ser corriqueiro e alterou o modo como as pessoas, até então, se deslocavam pela cidade. No ano passado, outros aplicativos chegaram com modos alternativos de transporte – Yellow com suas bicicletas e Grin com seus patinetes.

Cada novo aplicativo traz uma ideia capaz de modificar a maneira como as pessoas se locomovem. A mobilidade é, assim, um tema que tem atraído os olhares de diversos empreendedores que buscam solucionar problemas enfrentados pelos habitantes de grandes centros urbanos de forma integrada com novas tecnologias, buscando melhorar a qualidade de vida de todos.

Em entrevista para o Insidly, Fernando Saddi, CEO da Easy Carros, contou que a empresa se baseia em três crenças sobre o futuro para conduzir seus negócios: os carros tendem a pertencer a empresas; os carros tendem a depender mais de engenheiros de software; e o uso de inteligência artificial tende a transformar o setor.

Você pode ouvir esta conversa em nosso podcast, Get Insidly

O transporte como um serviço

A primeira crença, que diz que os carros tendem a pertencer a empresas, revela a visão do transporte como um serviço. As pessoas ainda utilizarão carros para ir de um ponto A a um ponto B, mas não terão mais a posse do veículo, algo que será reservado àqueles com grande poder aquisitivo ou aos colecionadores. O setor tende a ter poucos concorrentes e a disputa entre eles tende a se concentrar na experiência oferecida ao usuário e na eficiência operacional. Segundo Saddi, hoje, cerca de 40% das vendas de carro são feitas a empresas.

A crescente integração com software

Já a segunda crença, de que os carros tendem a depender mais de engenheiros de software, mostra que empresas nativas do setor de tecnologia dominarão o setor automotivo. Com o crescimento no número de carros elétricos e autônomos, haverá uma diminuição na demanda por engenheiros mecânicos para a resolução de problemas, pois o funcionamento de um carro dependerá menos do maquinário e mais do seu sistema operacional. A Tesla, por exemplo, já corrige cerca de 60% dos problemas de sua frota de veículos com reparações remotas feitas via software.

A inteligência artificial e o mercado de mobilidade urbana

A terceira e última premissa está relacionada à aplicação de inteligência artificial no setor. Fernando Saddi ressalta que as transformações não se darão só no momento em que os carros autônomos dominarem as ruas, mas ocorrerão antes disso com a digitalização do mercado de frotas. A Easy Carros coleta uma série de dados (consumo de combustível, tipo de combustível, gasto do pneu, quilometragem, etc) quando realiza um serviço de manutenção e utiliza tal base com inteligência artificial para desenvolver tecnologias de manutenção preditiva – capazes de predizer, por exemplo, quando o carro precisará de manutenção baseado no modelo e no ano.

A inteligência artificial também poderá ser utilizada para sugerir a melhor rota multimodal – que integra diferentes meios de transporte – para um deslocamento ou o melhor horário para percorrê-la com menos congestionamento. As pessoas já utilizam diversos meios de transporte para chegar a seus trabalhos há muito tempo (bicicleta, patinete, metrô, ônibus, carro, etc), mas a aplicação de IA otimizará a gestão dos trajetos e os tempos de deslocamento.

A organização da cidade, o poder público e a digitalização do setor de transportes

Tais mudanças no comportamento das pessoas provocará mudanças também na organização e arquitetura das cidades. Atualmente, de acordo com Saddi, em média 25% das regiões metropolitanas são ocupadas por estacionamentos. Uma melhor gestão da mobilidade poderá liberar esses espaços para que sejam ocupados de forma mais eficiente, com moradias ou parques, por exemplo, e aumentar a qualidade de vida da população.

O setor público tem desempenhado um papel importante com suas ações para incentivar o uso de carros elétricos. Na Noruega, onde os carros elétricos são altamente subsidiados, eles já compõem cerca de 33% da frota de veículos, segundo Saddi. O governo chinês também criou diversos incentivos fiscais e hoje, algumas cidades do país possuem apenas frotas de ônibus elétricos. No Brasil, a cidade de Curitiba é o grande destaque no setor de mobilidade com suas iniciativas para integrar novas tecnologias aos serviços de transporte público e de táxis da cidade.

O papel do compartilhamento de dados no futuro da mobilidade

Tal cenário exige um grande compartilhamento de dados por parte das empresas. À medida em que perceberem os diversos benefícios sociais e econômicos, há uma tendência das organizações se juntarem em iniciativas que busquem discutir as melhores práticas para o setor e ampliar o compartilhamento de informações, algo que pode ser feito utilizando blockchain, por exemplo.

Vê-se, com isso, que o mercado de mobilidade ainda mudará muito e transformará não apenas o modo como nos deslocamos pela cidade, mas também a própria organização do espaço urbano, que tende a crescer ainda mais nos próximos anos. Nesse contexto, a Easy Carros têm voltado sua atuação para a prestação de serviços de manutenção especialmente a frotas empresariais, integrando tecnologias capazes de agregar valor para seus clientes.

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