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Projeto Libra, o plano para uma criptomoeda do Facebook

By 29 de maio de 2019 junho 18th, 2019 No Comments

Projeto Libra, o plano para uma criptomoeda do Facebook

O Facebook decidiu ingressar no mercado de criptomoedas e os planos do projeto Libra, um sistema próprio de pagamentos digitais que independe da conta bancária dos usuários, foram revelados em dezembro do ano passado.

Desde então, ocasionalmente são divulgadas notícias que reforçam a existência desse projeto secreto, como a abertura de vagas para especialistas em blockchain ou o registro feito pelo Facebook de uma fintech na Suíça chamada Libra, cujo objetivo é desenvolver software e infraestrutura relacionados à tecnologia blockchain, a pagamentos, ao gerenciamento de identidade e à análise de dados.

A mais recente dessas notícias foi a revelação, feita pela BBC, de que os planos para a GlobalCoin, como é conhecida internamente a criptomoeda, estão sendo finalizados para que o lançamento seja feito ainda em 2020.

Os projetos do Facebook com criptomoedas

Essa não é a primeira vez que o Facebook tenta criar um sistema de pagamentos próprio. Dez anos atrás a rede social criou o Facebook Credits, uma moeda virtual que permitia aos usuários comprar itens dentro de aplicativos que rodavam dentro do Facebook. A feature, porém, não ganhou atenção suficiente dos usuários e acabou sendo extinta em 2012, dois anos após o seu lançamento.

Dessa vez, no entanto, o Facebook aposta em uma criptomoeda com maior alcance, um projeto maior e mais aberto que permite transferir valores e fazer compras de produtos ou serviços até mesmo fora das plataformas da empresa (Facebook, Instagram e WhatsApp), abrangendo, assim, toda a Internet.

Com isso a empresa também pretende reduzir os custos para os consumidores, quebrando barreiras existentes e competindo com bancos.

Contatos para o desenvolvimento do projeto Libra

Ainda segundo a BBC, Mark Zuckerberg se encontrou com autoridades do Tesouro dos EUA e do Banco da Inglaterra para esclarecer e avaliar os riscos, as oportunidades e as questões regulatórias que o lançamento de uma criptomoeda traz.

Também foram mantidas conversas com empresas de transferência de dinheiro, como a Western Union, com o objetivo de buscar formas mais baratas e rápidas para que pessoas sem conta bancária possam receber e enviar valores monetários. O Facebook manteve ainda contato com comerciantes online buscando o aceite da própria criptomoeda como forma de pagamento em troca de taxas de transação mais baixas.

Além disso, a empresa conversou com a Jump e a DRW, as maiores empresas de negociação de alta frequência de Chicago, procurando, assim, garantir a vinculação de sua criptomoeda ao dólar americano, mantendo-a líquida e negociável, e procurando também compreender como se faz um mercado.

Todas essas conversações descrevem uma fase inicial de engajamento com governos, bancos centrais e órgãos reguladores. Segundo a BBC, o Facebook exigiu sigilo de todas as partes envolvidas nas negociações.

Mark Zuckerberg

Mark Zuckerberg em coletiva de imprensa na VIVA Technology (Vivatech)

As conversas entre o Facebook e a Gemini

Outra empresa que o Facebook contatou foi a corretora de criptomoedas Gemini, que permite aos clientes converter moedas fiduciárias, como o dólar americano, em criptomoedas. Tal conversa pode ser um tanto surpreendente, pois os fundadores da Gemini são os irmãos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, que processaram Zuckerberg por lhes roubar a ideia de uma rede social, disputa que terminou em um acordo que lhes deu direito a US$ 65 milhões em dinheiro e ações do Facebook.

Mas afinal, o que é uma criptomoeda?

Criptomoedas são um tipo específico de moeda digital que representa um valor monetário na Internet e permite ao usuário pagar por produtos e serviços. Elas funcionam com base na tecnologia blockchain, que é um registro com o histórico imutável de informações sobre todas as transações já realizadas.

Tal registro não depende de uma autoridade central para validações, como um banco ou um governo, e os dados nele armazenados tem formato de blocos interconectados e utilizam técnicas criptográficas para fornecer maior segurança.

Por ter essas características, o blockchain pode ajudar a reduzir o tempo e o custo de envio de dinheiro, o que chamou a atenção de bancos e empresas ligadas a pagamentos.

As preocupações com a criptomoeda do Facebook

Com os recentes escândalos de vazamentos de dados envolvendo o Facebook, a maior preocupação da empresa deverá ser a confiança dos usuários, já que eles precisarão trocar seu dinheiro pela criptomoeda da empresa.

Um sistema de pagamentos próprios dará à rede social um acesso ainda maior a dados valiosos sobre o comportamento de gastos dos usuários, o que provavelmente fará com que as autoridades norte americanas acompanhem o lançamento de perto tendo em vista preocupações com a exposição de dados sensíveis.

Outra questão de atenção deverá ser o valor. Criptomoedas tendem a ser muito voláteis, o que é visto como um obstáculo para que as pessoas as usem em pagamentos diários. O Facebook deverá resolver isso atrelando sua própria criptomoeda a um conjunto de moedas estabelecidas, como o dólar, o euro ou o iene.

O impacto desse lançamento no mercado de criptomoedas

Como a rede social tem uma base de usuários enorme – 2,4 bilhões de pessoas usam o Facebook mensalmente – o eventual sucesso do projeto Libra pode impulsionar o mercado de criptomoedas, que, segundo estimativas do pesquisador Garrick Hileman da London School of Economics, abrange hoje cerca de 30 milhões de pessoas.

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