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Principais bancos do mundo planejam lançar criptomoeda em 2020

By 6 de junho de 2019 junho 18th, 2019 No Comments

Principais bancos do mundo planejam lançar criptomoeda em 2020

Por João Bosco Cyrino

O mercado das criptomoedas está prestes a viver uma nova revolução em seu modelo de negócios encabeçada por alguns dos maiores bancos da América, Europa e Ásia. Liderado pelo suíço UBS, o consórcio Fnality International é composto por outros 13 gigantes do setor financeiro: Banco Santander, Bank of New York Mellon Corp., Barclays, Canadian Imperial Bank of Commerce, Commerzbank AG, Credit Suisse Group, ING, KBC Group NV, Lloyds Banking Group, Mitsubishi UFG Financial Group Inc., Nasdaq, State Street Bank & Trust Co. e Sumitomo Mitsui Banking Corp.

O objetivo é lançar até 2020 a Utility Settlement Coin (USC), uma criptomoeda baseada em blockchain. A iniciativa, anunciada em 2015, já recebeu US$ 63 milhões de investimento e possibilitará transações internacionais de forma mais rápida e barata, evitando burocracias e aumentando a segurança em relação ao modelo praticado pelos grandes bancos.

A criptomoeda USC e os novos desafios e oportunidades

A Fnality ainda não forneceu muitos detalhes sobre o projeto, mas a startup de blockchain Clearmatics é a responsável pelo desenvolvimento da USC. Segundo informações obtidas pelo The Wall Street Journal a criptomoeda funcionará “tanto como um dispositivo de pagamento, quanto como um mensageiro com todas as informações necessárias para a execução de uma transação.” Essa pode ser considerada a iniciativa mais agressiva dos bancos e instituições financeiras tradicionais para entrar no mercado das criptomoedas.

A USC será garantida por ativos em dinheiro mantidos pelos próprios bancos e poderá ser convertida a uma determinada taxa em outras moedas fiduciárias (inicialmente haverá suporte para dólar americano, euro, libra, iene e dólar canadense). O valor de conversão será, assim, estabelecido e mantido inicialmente pelas próprias instituições financeiras, o que deverá proporcionar maior estabilidade.

Para fazer uma transferência do Japão para os EUA utilizando USCs, por exemplo, o banco comercial japonês transferiria uma quantia específica de ienes para o Banco do Japão. Depois, a Fnality emitiria a quantia correspondente de USCs e os depositaria na conta de um banco comercial americano, que poderia enviar, então, a quantia equivalente em dólares para a conta do destinatário final.

O projeto pretende, dessa forma, otimizar os custos e processos envolvidos em transações internacionais, algo que hoje envolve diversas etapas e intermediários, além de diminuir os riscos.

Hyder Jaffrey, chefe de estratégia de investimento do UBS, disse ao WSJ “Você remove o risco de liquidação, o risco de contraparte, o risco de mercado (…). Todos esses riscos se somam aos custos e ineficiências do mercado”.

Seria a USC uma criptomoeda de verdade?

Para os puristas, a USC não deverá ser considerada uma criptomoeda e talvez nem mesmo a tecnologia que a fundamenta poderá ser chamada de blockchain. Isso porque a rede deverá ser utilizada exclusivamente por instituições financeiras, o que implica num sistema fechado e muito diferente, por exemplo, do Bitcoin.

Ainda que hajam aspectos tão diferentes entre a USC e outras criptomoedas, ela deverá utilizar fundamentos da tecnologia blockchain para criar uma infraestrutura de registros de dados que dificulte a falsificação e aumente a segurança.

 

Créditos da foto de capa: Le Figaro | Fabrice Coffrini | AFP

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